QUANTO VALE UM BYTE? O TRABALHO ENTRE INFRAESTRUTURA E MEIO AMBIENTE NA COMODIFICAÇÃO DA INFORMAÇÃO

  • Autor
  • Gustavo Denani
  • Resumo
  • Esta apresentação tem como objetivo mostrar como informação, enquanto um tipo de mercadoria preponderante no capitalismo tardio, é dotada de valor a partir de relações entre meio ambiente e infraestruturas digitais. Por infraestruturas digitais, pensa-se aqui em equipamentos e construções como data centers, cabos de fibra óptica, antenas e torres que recebem, processam e transmitem informação e conferem materialidade à chamada “nuvem” (Mosco 2015). Apesar da aparente autonomia que esses aparatos têm em seu funcionamento, eles demandam trabalho de supervisão e manutenção. Se a informação que circula nessas infraestruturas é o produto desse trabalho, pode-se dizer que trata-se de uma mercadoria e, portanto, possui valor.
    Como esse valor é produzido? Para responder a essa questão, propõe-se articular os relatos obtidos durante a pesquisa de doutorado com a análise de autores que lidam criticamente com infraestrutura, meio ambiente e informação. Segundo um dos trabalhadores com quem conversei, o valor da informação depende da proporção entre sinal e ruído. Quanto menor o ruído, mais sentido uma informação tem e, portanto, maior o seu valor. Tal compreensão é próxima da definição de Shannon (1949), na qual informação é o nível de surpresa que uma mensagem comunicada pode provocar, ou seja, o quanto de diferença ela pode produzir ao ser decodificada. Ruído, por sua vez, é informação enquanto indiferenciação, um tipo de valor-negativo (Moore 2015) que contamina a qualidade possível de uma informação, como no caso de um arquivo corrompido, podendo comprometer o funcionamento de um programa ou de um sistema computacional. Dessa forma, sinal e ruído são dimensões técnicas da informação que encontram seus análogos econômicos na quantidade de valor que ela tem.
    O valor enquanto atributo da relação sinal-ruído não é intrínseco à informação, mas é um índice do trabalho que a produz. Trabalho este que consiste em mediar infraestrutura e meio ambiente, de modo que a manutenção do fluxo de informação demanda a neutralização de elementos humanos e não-humanos que possam, por exemplo, ameaçar a integridade de Points of Presence e outras partes infraestruturais que conectam usuários e servidores. Com isso, elementos externos à infraestrutura, que, segundo meus interlocutores, se manifestam por exemplo em eventos climáticos, ladrões de cabos ou indígenas hostis à ocupação em seu território, tornam-se um risco à integridade da informação, reforçando cisões de ordem ontológica e epistemológica entre natureza e cultura.
    Informação, portanto, tem uma materialidade ancorada tanto em aparatos sociotécnicos quanto no meio ambiente que os abriga. Cabe assim delinear como o trabalho humano, ao fazer a mediação entre infraestrutura e meio ambiente enquanto tecnonatureza (Swyngedouw 2007), permite que informação tenha valor. Para isso, argumenta-se que a dependência que se tem sobre esse tipo de infraestrutura tensiona questões políticas e sociais, reduzindo-as a ruído. Preservar o valor enquanto sinal da informação passa a ser um trabalho de neutralização dessas questões.
     
  • Palavras-chave
  • Informação, infraestrutura, meio ambiente
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
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